MEU CAFÉ FOI SE ESCREVER

Viver,

como quem fica e brinca de saber de si. Brincadeira é escrever, livremente. Pela manhã, haviam crianças em minha janela. Ainda cedinho, meu café foi este, escrever. Tão forte que, acordei. Amanheci escrevendo, brincando. Devo ter sonhado com alguma coisa que ainda, não me lembro. 
É com a criança que se escreve?
Pensar em tudo que pesava, diminuir a carga, 
não sem esforço, com repouso, 
água e olhar de vó.
.
Viver com quem pinta e borda,
como quem foi pintada, bordada e emoldurada pelas mãos de quem sabe,
- mães de quem sabe.
Vida que anda e desanda, a proporção se iguala.
Intensidade que rasga e só quem vive de extremo, sabe.
Desaba a imagem.
Tenho outra margem.
Não desdenhar sofrimento, desenhar com o meu.
Escrevo e não me interessa respeitar a margem pautada, passo por cima. Prefiro as folhas sem pauta, com elas a brincadeira se escreve, livremente.
Se a distância se faz necessária é em prol de recuperar o fôlego,
conhecimento dos próprios afogamentos. 
Saber o motivo da queda e, por que ainda não se entrega?
.
Faço a retomada às cinzas,
um quê de morte nesse tanto viver,
pois ainda me refiro às imagens que caíram, incluindo aquela que fazia moradia no meu espelho.  Àqueles, que mesmo respirando, morreram, pra mim. 
Foi necessário usar um tanto de vírgula,
mesmo,
falar pausadamente,
repetidamente, para assim entender que algumas mortes é com alegria que se chora. 
.
Se houvesse um pedido,
Seria para que não interpretasse mal o lance da morte, mas assim eu pecaria.
Não ouça o meu pedido, interprete como quiser, digere como puder, se puder. 
Se houvesse um segundo pedido, seria para as crianças da minha janela,
que não brincassem tão alto pela manhã. Mas assim eu pecaria, brinquem como quiser.
.
Enquanto no café me expresso,
algo cessa,
e aquilo que não, 
é de outra coisa que se trata.

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