Quiet Days II

I

Se uma horta tivéssemos, este seria o momento, a hora dos frutos padecerem conosco, à gosto. Gastos são os pés, medindo e distribuindo o peso da materialização do teu verbo e o impacto sob o corpo que lhe concede a mais um olhar, um ponto de vista, à visitar tua nova rotina e as juras que novas são as tuas retinas. Gasto é o sono e o som d'minha voz. O peso é o das línguas ao espelho sujo das imagens distorcidas, convencidas, convulsionadas. À beira do pranto comprimido, em busca do acalento da voz do corpo todo cumprido. Se escrevo, faço a questão, que seja com as às vestes do pessimismo que me acusou; sem almejar visitar o inferno, visitaremos o de vossas palavras e este, não é o pecado. Quanto ao vosso céu, para não dizeres que somente pessimista fui, águas e ventos ainda me atravessam. Talvez, este, seja. O pecado.


II

Se retorno é em conjunto com a primavera, as flores sinalizam-me que hora de voltar, continuar o esboço em aberto, permitindo os olhos próprios e os alheios à seguinte e anterior leitura. Retorno não por meramente simpatizar com a primavera, mas é que as flores finalizam-me. Trarei a rouquidão da fuga das palavras. Enfileiradas estão as palavras ensanguentadas, vazadas por todos os lados, contaminando todas as laudas. Queimaduras de terceiro grau, à mim. Queimaduras estas que afetariam todas as camadas de minha pele, músculos, ossos… causando a morte dos tecidos e de minha escrita. D’onde estou, sigo incrédula diante do laudo cadavérico de minhas laudas. Terá a carne viva as laudas que já suportaram escritas, criaturas e estruturas mais escassas. Tratarei da rouquidão e, se retorno é junto das águas de novembro, circunscrevendo somente porque o sangue estanca e não mais molha minhas palmas e solas. Se o cotidiano às cinco é meio caótico, às cinco e meia, totalmente. Se, o acesso tivesse a escrita mais crua, veria toda mansidão em cárcere, imersa à ambivalência, desconheceria o rosto que acaricia e isto, atrapalharia teu fazer artístico. 


III

Se o despertar ocorre ao cantar dos pássaros, aceito q’é hora de rir e, ir embora. Quanto a isso, não há metáfora, apenas a saída, apesar de outras - vontades e idas. Postos à mesa, opostos à cama, aos ideais. Outra vez terá saudade, será. minh’falta. D'ouro é o sol que nasce à sacada, secando o que vier a sair, dos olhos, do corpo, da fala. 

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