extraindo da última laranja, o próximo suco
por vezes, perco o tempo de escrita, de propósito. escolho cochilar, buscar conciliação no repouso noturno e também, quando excessiva é a sonolência, a pálpebra repousa sob a luz vespertina. perder propositalmente é a concepção ativa e não passiva que escolho dar à escolha. escolher-não-existir gramaticalmente naquele instante, apesar da insistência inata que pulsa diante da letra, fazendo-me acordar e concordar com o que escrevia antes de - tentar - adormecer os sinais gráficos das palavras. se buscar a conciliação no repouso é a escolha que faço após o almoço, realizo um registro antes de adentrar-me ao estado ordinário da consciência e o contínuo registro é feito em meus sonhos tangíveis.
aproximar-me da noite outro dia, quase me leva ao mar. a luz rebaixada, a espera de que as palavras e outras imagens retornassem, como as ondas de um mar onírico, a natureza dos sonhos, que mesmo encolhidas, as palavras, escolho escrevê-las. vê-las, nem sempre fácil, com muita frequência, dificuldade. se a próxima letra é rebaixada, encolho-me e desço, para buscá-la. a letra ilumina a voz não tão lúcida aos olhos da fantasia, que permeia lúdica aos olhos da mesma, q’escreve com coisas as quais nunca tocou, extraindo-se do escuro que fez vigília, como deveria ter feito com o siso que ainda não foi extraído.
se o enclausuramento se dá através do espaço confortável, o confronto é de outra dimensão, perpassa à outra ordem e é feito, da própria vigília à escuridão, algo a ser dito. É efeito, sustentada à ideia de tornar visível a lucidez diante da fantasia, o lúdico diante dos escombros do ceticismo, enquanto extraio da última laranja, o próximo suco.
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