a escrita que mais descansou \ odor-maracujá

 

Embora a estação presente congele os dedos litorâneos e o inverno faça de uma manhã qualquer, uma manhã manhosa, sinto o acorde matinal, adentro-me à um acordo, recorro ao cais, às caieiras, à ampla vista d’uma história cantada sob o sol maior. Um canto se faz também a rouquidão, sob as dores de uma inflamação. Se me escutas, de longe, em alto e bom tom, digo-lhes que, faço minhas palavras sob pouca, ou nenhuma claridade. Fatídica é a pouca claridade à coisa, a revelação da letra acústica, que só se escreve no que é escuro, no nó que é, que se é.


Marcas d’água na escrita, a que mais repousou... e os lugares que passou, que precisou, o tempo que marcou. Escrita é menina e precisa amadurar, longe dos olhos. Marcador de página, odor-maracujá. Marca d’água n’minha página, o acorde vespertino despertou o sonhador, cacos de um vidro em uma perna - a minha, esquerda. Esquecida... não posso esquecer... a poeira dos dedos... é preciso aquecer, descongelar, tirar o gesso e escrever, caso contrário, cacos de um vidro em um par de olhos. 


Marcas de uma lua crescente, o dizer de quem míngua... quem faz a própria vigia? A si próprio condensa - fase que ocorre a transformação da matéria. As artérias, garantem o transporte do sangue do coração para os diferentes tecidos do corpo. Há poeira nos meus dedos, e você, me assegurando que... são estrelas. Te digo que, não. São entranhas. 



sob pouca ou nenhuma claridade, 

retirando os cacos de uma perna, 

de um sonho, perto da areia, 

crescer acreditando em sereia, 

no nó que é,

que se é.

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