ACENAR, ENCARAR, ENCERRAR
Outdoor de cunho existencial:
O que procura? Com que tanto se preocupa?
No que tanto se debruça? O que tanto, 'cê soluça?
O que queres, afinal? É o final que não queres?
Falta dizer da falta que resta e que o fim, desespera?
..
A peça sairá de cartaz,
a conversa ecoou, e por favor, não esqueça-te de retirar o corpo de cena. Ritualize a saída, se necessário. É necessário! Acene para o semblante que interpretou e deixe cair. Sem encenar, mas a encarar o rosto que tens e esta tua vida em tantas. Sem encenar, mas estar a acolher os estados e sotaques que ecoam na sua história. Um corpo que resiste é tanta história. Uma peça que insiste é tanta coisa. Se a fala, junto da falta, não quisessem também outro sentido, estaria a engolir, não colocando-as para fora de suas mãos.
Mãos a balançar,
para ritualizar a despedida. Para amenizar os impactos das rupturas, mães balançam suas crias. A escrita sempre ecoa, uma repete a outra. E não é somente a escrita que me refiro. A fonte desta caligrafia é a mesma, passa pelas minhas mãos e as mãos das minhas. Encenar com o vazio é na verdade, acenar. Sentir. Encarar a face que tens.
Encerrar.
És cria de alguém e vive a balançar.
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