DO PRATO AO PRANTO

o silêncio do papel em branco possibilita criar,

mas não digo nada há semanas,

não esboço nada no papel, há meses.

não é por falta de palavras, pois tropeço em tantas ao dia longo,

e não desenho uma letra. 

.

 necessidade de organizá-las e colocá-las em seus devidos lugares, em seus devidos papéis.

troquei sim, alguns papéis e personagens de lugar. 

este é o garrancho;

 letra difícil de entender.

.

por pensar em lugares devidos,

há coisas que não estão nos seus devidos lugares,

há um quem, por exemplo, que não está no devido lugar que era pra mim.

este é o tropeço; 

obstáculo inesperado.


enquanto a escrita escorria em voz alta, 

e eu não podia devidamente escutar,

a janela do seiscentos e dois era testemunha,

 mas não só.

 

quem escorre pelas mãos de quem escreve, 

é o mesmo quem corria, em direção da mesma.

o silêncio em oferta, não é novidade,

 já era possível saboreá-lo.

era o prato da casa.

hoje, 

o pranto da casa. 

-

do prato

ao pranto.


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