LITERAL DE UM DEVANEIO

há tempos que a madrugada não me servia tão bem. uma roupa antiga e esquecida, mas que ainda me aquece bem. penso-bem quando é noite. e havia me esquecido disso e de tantas outras coisas. me esqueci, de fato, no literal da palavra. no litoral de tantos devaneios, me trombei. obtive lembranças n'outra madrugada, por ser tão silenciosa que, se parece comigo. tenho a sensação de que foi aquela lua crescente, lua-metade, sabe? Quem me convocou n'outra noite, por também se parecer comigo quando decido não aparecer por inteira. ou quando me recolho, mas nem tanto, deixando uma parte do que penso para fora. pro mundo. é que ainda estou me espreguiçando, sabe? Acordando enquanto me dou conta de quem está aqui;

sou eu

no litoral da palavra,

no literal de um devaneio.






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